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Vinci assume Salvador fazendo aposta em sinergias

Vinci assume Salvador fazendo aposta em sinergias

por ABLA NOTICIAS

O engenheiro argentino José Luis Menghini, ex-presidente da Inframérica, assumiu o comando da Vinci Airports no Brasil. A operadora francesa assinou ontem o contrato de concessão para explorar durante 30 anos o aeroporto Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, com uma promessa de melhorar a imagem do terminal e explorar sinergias com seus outros ativos ao redor do mundo.

“Pretendemos maximizar a sinergia entre os aeroportos que temos na América Latina e em Portugal”, disse Menghini ao Valor, após cerimônia no Palácio do Planalto. Com 35 terminais em seis países diferentes, a Vinci administra os aeroportos de Lisboa, Santiago (Chile) e Santo Domingo (República Dominicana).

Com passagens recentes pela fabricante de equipamentos eólicos Impsa e pela Inframérica, que opera os aeroportos de Brasília e de Natal, Menghini pede um pouco de “paciência” com as melhorias no terminal de Salvador e lembra que é preciso esperar o fim do período de transição com a Infraero para dar um pontapé inicial nas obras. Ele afirma, no entanto, que algumas intervenções podem ser feitas de forma mais imediata para melhorar a percepção dos passageiros. O aeroporto foi o mais mal avaliado em pesquisa recente do Ministério dos Transportes com usuários.

“O vetor turismo é muito importante para desenvolver Salvador como destino”, afirma Menghini, presidente

De acordo com Menghini, o grupo francês está animado com suas perspectivas no Brasil e vai estudar a possibilidade de entrar em novas concessões, caso mais aeroportos sejam leiloados pelo governo. “A Vinci está aqui com uma perspectiva de longo prazo, não imediata, mas de forma definitiva”, assegura o executivo.

A nova concessionária precisará investir R$ 2,35 bilhões na ampliação do terminal de passageiros, oferta adicional de 1.630 vagas no estacionamento e uma futura segunda pista com 2.160 metros de extensão. Para ficar com o aeroporto, no leilão em março, a Vinci deu lance com ágio de 113% sobre o valor mínimo de outorga.

“O vetor turismo é muito importante para desenvolver Salvador como destino”, diz Menghini. “O crescimento da demanda regional com uma boa infraestrutura também vai colaborar.”

O secretário de Turismo da Bahia, José Alves, acrescenta que a concessão do terminal é um “divisor de águas” para o Estado. “Não só pela adequação da infraestrutura, mas também pela estratégia empresarial de prospecção de novos voos”, afirma Alves. Segundo ele, a Gol está de olho em Salvador para formar um “hub” regional, assim que a recuperação da demanda ficar mais consistente. “Estamos disputando com Recife e Fortaleza.”

Além disso, o governo baiano conduz negociações com a Air France e com a KLM para estabelecer novos voos internacionais, respectivamente, para Paris e Amsterdã (com duas frequências semanais para cada uma delas).

A solenidade em Brasília marcou ainda a entrada no país da operadora alemã Fraport, que vai administrar os aeroportos de Fortaleza e Porto Alegre, e da suíça Flughafen Zürich AG, vencedora do leilão de Florianópolis.

Até hoje, elas farão o pagamento de R$ 1,46 bilhão referentes a 25% do valor de outorga e ao ágio em seus lances. Tem início agora um período de sete a dez meses de operação assistida junto com a Infraero. Depois disso, os grupos privados assumem completamente. Os grandes investimentos ocorrem assim que houver a assunção definitiva.

O diretor de investimentos internacionais da Zurich, Martin Fernandez, afirmou que a crise política no Brasil não impede os investimentos da empresa no país. “Faremos os investimentos, independentemente do que acontecer no marco político. Sempre uma crise política é um tema que consideramos para os investimentos, mas o mais importante é que o mercado [brasileiro] existe, temos confiança de que a economia vai melhorar e – muito importante – há uma segurança legal para nossos investimentos.”

A empresa investirá R$ 500 milhões nos próximos três anos na construção de um novo terminal, novas pistas de pouco e decolagem do aeroporto da capital catarinense. A companhia também tem participação minoritária na BH Airport, que administra o aeroporto internacional de Belo Horizonte, controlado pela CCR.

Ao contrário das rodadas anteriores, que mantinha uma fatia 49% nas mãos da Infraero, os aeroportos leiloados em março serão totalmente privados.

Fonte: Valor Econômico