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Ter carro próprio é burrice?

Ter carro próprio é burrice?

por ABLA NOTICIAS

Cada vez mais gente se convence das muitas vantagens do aluguel de carro

Mistério: por que as pessoas compram um automóvel que, pouco depois, mesmo em boas condições, perde grande parte do valor? O que explica tanta resistência em alugar carros, mesmo diante de evidentes vantagens econômicas? É um problema cultural ou falta comunicação? Afinal, carro é sinônimo de propriedade ou de serviço?

CARRO: propriedade ou prestador de serviço?

“O brasileiro, tanto o consumidor final quanto o empresário, até pouco tempo atrás via o carro como posse, investimento, status”, explica Renato Franklin. Ele lidera uma das empresas brasileiras mais novas e inovadoras em aluguel de automóveis. Para Franklin, ocorre uma mudança de mentalidade nas novas gerações. Os jovens não fazem mais questão de ter carro próprio, e preferem a locação.

FAZENDO AS CONTAS – a nova geração já opta por locação, pois não quer jogar dinheiro fora

 

FIM DA CRIATIVIDADE ZERO

Ficaram para trás também carros de locação sempre econômicos, desprovidos de acessórios, e com criatividade zero, nas cores branco, preto ou cinza. Ou abrir lojas apenas em aeroportos e centros de cidades. Exemplo da nova percepção, a Movida diversificou a frota e se instalou em bairros, para se aproximar do consumidor final. Dispõe de 140 modelos de marcas diferentes, entre eles HB20, Mercedes, Audi, Renegade e Mobi em várias cores. Vêm acompanhados de acessórios como Wi-fi ou rádio digital. A empresa também introduziu aluguel de longo prazo, que oferece custos mais baixos.

 

MARCAS E CORES – chega de carros econômicos, sempre pretos, brancos ou cinzas
VANTAGENS DA LOCAÇÃO

Não há dúvidas que é mais barato alugar que comprar carro. Os argumentos da ABLA, associação dos locadores de automóveis, convencem. O veículo já vem licenciado e com IPVA. O seguro de roubo e colisão está incluso no preço. A manutenção e peças de reposição e assistência 24 horas correm por conta da locadora. O capital não fica empatado em um carro que se desvaloriza a cada dia. Em caso de viagens ou quando não é usado, pode ser devolvido.

Outro dado importante: a idade média dos automóveis em circulação no Brasil ultrapassa 9 anos. Já nos carros é só de três anos.

O que ocorre na prática? Tome-se um aluguel mensal do Jeep Renegade pela Movida. Sai por R$ 2.250,00, valor pode até assustar num primeiro momento. Mas, feitas as contas na ponta do lápis, traz uma economia de R$1.087 por mês, ou mais de R$13 mil por ano. Até porque, de acordo com a ABLA, a média de preços da locação no Brasil é uma das mais baixas do mundo. Mesmo enfrentando fatores negativos, como taxa de juros alta, encargos pesados, e mão de obra onerosa, infraestrutura viária precária e alto índice de roubos de carros.

 

COMPRA OU ALUGUEL – quem é o burro e o esperto nesta história?
POTENCIAL DE MERCADO

Para melhora avaliar o quadro fomos atrás dos números. Não foi fácil. Como o Brasil é a terra das não-estatísticas, ninguém informa com exatidão a quantidade de automóveis em circulação, nem quantos são para locação. Os totais variam entre quase 36 milhões (Sindipeças) e acima de 50 milhões (IBGE). Destes, 40% rodam em São Paulo. As 660 mil locações de todo tipo de veículo, algo como 400 mil automóveis perdidos no meio, representam, em qualquer cálculo, menos de 0,2% da frota.

Para efeito comparação, nos Estados Unidos, onde circulam 263 milhões de automóveis, as locações respondem por quase 1%. Ou seja, cinco vezes mais que o Brasil, em termos percentuais.

De acordo com a ABLA, as empresas são os maiores clientes das mais de 11 mil locadoras de carros no Brasil. Profissionais em viagens e terceirização da frota entram com 62%, enquanto o turismo de lazer contribui com apenas 25% dos negócios.

Os aluguéis de automóveis no Brasil crescem a dois dígitos e representam 10% dos veículos emplacados no país. Em 2016 atingiram receitas de R$12.1 bilhões e geraram 410 postos de trabalho. Mesmo assim, dá para concluir que este mercado tem ainda imenso potencial de expansão no país.

“As pessoas precisam entender que pagar pelo uso e não pela propriedade é o mais moderno conceito de consumo consciente e inteligente”, conclui Paulo Nemer, presidente do Conselho Nacional da ABLA. Ele tem pela frente um árduo trabalho de evangelização de consumidores para esta causa.

 

 

EVANGELIZAÇÃO – vai dar trabalho e levar tempo para convencer consumidores a alugar e não mais comprar carros

*Fábio Steinberg é jornalista e fundador do site Viagens & Negócios