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Aluguel de carros deve voltar a ganhar força

Aluguel de carros deve voltar a ganhar força

por ABLA NOTICIAS

O mercado de locação de automóveis movimentou R$ 12,1 bilhões em 2016, segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla). O número é 33% inferior a 2015, quando o total faturado pelo segmento foi de R$ 16,1 bilhões. Na avaliação de representantes do setor, o decréscimo se deu em razão da retração no consumo devido à crise econômica. A expectativa para este ano, porém, é de retomada de parte da demanda perdida.

Empresas com participação nacional, como a Movida, mostram crescimento expressivo. O CEO do grupo, Renato Franklin, lembra que nacionalmente a empresa bateu recorde no número de diárias de aluguel de carros no segundo trimestre deste ano, atingindo 2,7 milhões, crescimento que representa alta de 42,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar de não precisar números, ele assegura que a situação no Estado é bastante semelhante. Este não é o único indicativo de retomada de demanda na empresa. Recentemente, foi anunciada a compra da Fleet Services com seus 153 veículos de luxo no valor de R$ 22 milhões.

No momento, o diretor da Abla no Rio Grande do Sul, Rodrigo Selbach, acompanha os efeitos do aumento nos preços dos combustíveis através da alteração por decreto da alíquota do PIS/Cofins. Para Selbach, os impactos ainda não foram observados, mas a medida tem potencial para diminuir a demanda uma vez que encarece o custo do insumo também para o consumidor.

No Estado, são mais de 280 empresas do setor de locação de veículos que podem ser afetadas pela medida, anteforça,  as mais de 11,1 mil no País. Juntas, essas locadoras do Rio Grande do Sul possuem 9.103 veículos emplacados, o que equivale a 8,4% da frota disponível para o aluguel em toda a região Sul do País. A porcentagem limitada é reflexo de uma constatação de Selbach: as empresas daqui são, em sua maioria, pequenas e médias – com até 35 carros. Isso também eleva a probabilidade de impactos com variações econômicas acentuadas.

Esta é a realidade da R3, localizada nas proximidades do aeroporto Salgado Filho. Com 35 veículos com valor de aluguel diário entre R$ 90,00 e R$ 500,00, a expectativa do contato comercial, Daniel Seller, é de que o ano feche com melhor faturamento. Em sua avaliação, o fluxo de aluguéis da R3 está diretamente ligado ao turismo, tornando-se, assim, sazonal. “Junho e julho foram bastante bons, agosto já dá uma parada por ter acabado o frio”, comenta. O que definirá a retomada na demanda por veículos será mesmo o próximo período de férias, já que este, em razão dos poucos dias de frio, não levaram tantos turistas para a serra gaúcha.

Na Movida, porém, a demanda não é afetada pela sazonalidade. “Porto Alegre, especificamente, está entre as nossas TOP 10 cidades que tem uma demanda constante”, afirma o CEO Renato Franklin. Mais de 60% da demanda no Estado, de acordo a Abla, está motivada pelo aluguel corporativo eventual – segmento no qual a Movida ocupa 17% do share de mercado brasileiro.

Nos próximos meses, o segmento também precisará entender como a onda de aplicativos de transporte privado individual influi na demanda por carros alugados. “Até o momento, observamos impactos nos dois sentidos, já que fomenta a locação de carros para motoristas, mas também faz com que alguns clientes deixem de alugar e optem pelos aplicativos”, explica, ao ressaltar que mil carros estão sendo utilizados em aplicativos, como Uber e Cabify, na Capital.

Por Carolina Hickmann, do Jornal Do Comércio.