A instabilidade e o setor automotivo

por Alarico Assumpção Júnior

O ano de 2015 foi encerrado com talvez com um dos piores resultados da história deste país, em relação ao setor da distribuição de veículos. Obviamente, esse resultado, que aponta para uma retração global de quase 24% para os emplacamentos de todos os segmentos automotivos, reflete a retração econômica e a instabilidade do quadro político nacional, que abalam os índices de confiança dos consumidores e investidores, num dos piores níveis já experimentados pelo Brasil.
Como reflexo, os emplacamentos retrocederam quase uma década em ternos de volume, e a situação preocupa concessionários de todos os segmentos automotivos, que estão tendo dificuldade em manter os resultados de suas empresas, o que impacta, negativamente, nos empregos. Até novembro, contabilizamos 943 concessionárias inoperantes, ou seja, que não emplacaram nenhum veículo no acumulado do ano. Isso significa a perda de mais de 30 mil empregos.
Como costumo dizer, não há qualquer dignidade nessa morte de empresas nacionais e cujo capital humano vem sendo comprometido, tanto por parte de empresários como de seus colaboradores e familiares.
Diante desse quadro, a Fenabrave reviu as previsões para o encerramento de 2015, e os dados apontam para uma queda global de 23,98% para todos os segmentos somados. Para automóveis e comerciais leves, a Fenabrave projeta redução de 26,5%, para caminhões e ônibus, a queda deve chegar a 45,1% e em 46,6% para implementos. O segmento de motocicletas deve apresentar retração de 14,1% e o setor de tratores e máquinas agrícolas deve cair 38,3% este ano.
Ainda sem um cenário político e econômico bem definido, mas com um PIB que deve ser negativo em cerca de 3,5%, não conseguimos realizar projeções assertivas para 2016. Até o momento, as perspectivas apontam uma queda de 4,2% para todo o setor no próximo ano. Para os automóveis e comerciais leves, a retração pode chegar a 5,2%, alcançando 4,2% para caminhões e ônibus, 2,3% para motocicletas e 5% de queda para tratores e máquinas agrícolas.
A previsão, no entanto, não contempla uma possível implantação do Programa de Renovação da Frota, agora denominado Programa de Sustentabilidade Veicular, que, se aprovado pelo governo, poderá melhorar os resultados de todos os segmentos automotivos em 2016, além de trazer mais segurança no trânsito, redução de acidentes e de custos ao país.
Esperamos que mudanças favoráveis movimentem a economia em 2016, talvez com base em fatos políticos que possam recuperar os níveis de confiança de quem investe, consome e vive nesse imenso Brasil.
Como empresários do setor da distribuição de veículos, pretendemos continuar investindo e acreditando na recuperação do Brasil, na certeza de que os R$50 milhões investidos anualmente pelas concessionárias, apenas em treinamentos para suas equipes, resultem na melhora de resultados que, por sua vez, na recuperação de rentabilidade e dos níveis de empregos no setor.
Atualmente, somos 7,6 mil concessionários que, juntos, geram mais de 380 mil empregos diretos e respondem por 5,2% do PIB. Não é pouco, mas podemos ser e fazer mais, se estivermos investindo em terrenos mais firmes.
Que assim seja!
Que 2016 faça o Brasil e os negócios automotivos acelerarem!

Por: Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.